Fabiano Gomes comenta impacto da exposição de vice de Cartaxo como aliado de Cunha em “O peso de Manoel Júnior”; confira

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Cunha, o peso de Manoel Júnior

A campanha do prefeito Luciano Cartaxo sofreu, ontem, mais um duro golpe: a exposição em mídia nacional do seu vice, Manoel Júnior, no papel de aliado e defensor do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha – indicado, por nove entre dez brasileiros (e paraibanos), como o inimigo público número um do País.

Todos os veículos nacionais que cobriram o depoimento de Manoel Júnior no Supremo Tribunal Federal – arrolado como testemunha de defesa – carimbaram o paraibano como aliado e fiel escudeiro de Eduardo Cunha.

Não tenho (e grifo isso com todas as tintas) nada contra a figura de Manoel Júnior. Mas não posso deixar de reconhecer que o carimbo não foi prensado por capricho midiático.

Esse papel foi desenhado pelo próprio Manoel Júnior ao longo das sessões – tantas vezes por ele mesmo postergadas – da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, onde Cunha enfrentava processo de cassação.

O paraibano blindou, obstaculou as sessões e inúmeras vezes defendeu o mandato, a cadeira de presidente e as práticas de Eduardo Cunha com veemência – como deve ter feito ontem, mais uma vez, diante do nosso tribunal máximo, o STF.

E estas atividades respingam agora na campanha de Luciano Cartaxo.

O impacto da exposição de seu candidato a vice-prefeito na condição de escudo de Eduardo Cunha é exponencialmente potencializado pela conjuntura em que Cartaxo e Manoel Júnior vão as urnas neste 2016.

O prefeito-candidato não admite e escamoteia os acordos que fez para firmar suas alianças políticas, mas nos bastidores já está sacramentando a passagem do bastão para Manoel Júnior em 2018 – quando Cartaxo planeja se lançar em voos ainda mais altos.

Trocando em miúdos, os pessoenses não tardarão a perceber que a coligação PSD-PMDB-PSDB vende, numa só chapa, dois candidatos a prefeito da Capital – um para a primeira parte do mandato; outro para a segunda metade.

Repito: nada contra a figura de Manoel Júnior.

Mas suas movimentações ao redor de Eduardo Cunha – aquele que comandou e quiçá ainda comanda um dos esquemas mais sujos de cobrança de propinas da República – pode suscitar, da parte do eleitor, uma leitura de cenário adversa.

Tornando, por exemplo, a tese de ascensão do peemedebista ao cargo de prefeito assustadora aos olhos da maioria dos cidadãos pessoenses.

O núcleo duro da campanha cartaxista já deve ter avaliado e sabe que é de fato amedrontadora, para o eleitor, as duas perspectivas:

Primeiro: a de que pode eleger um candidato e vê-lo, mais adiante, colocar em sua cadeira um personagem que deveria se circunscrever ao papel de coadjuvante, nunca de protagonista político-administrativo.

Segundo: a leitura do leitor ganha contornos ainda mais temerários ao entender que o personagem secundário (Manoel Júnior) teria, e a mídia não nos deixa esquecer, relações consideradas inadequadas com um político praticamente alçado a categoria de gângster (Eduardo Cunha).

Não sem razão, as cabeças pensantes da campanha do prefeito têm se esforçado tanto para encobrir o acordo já firmado de divisão do mandato entre Cartaxo e Manoel Júnior.

Sabem que, desnudado, dificilmente o eleitor comprará esse acordo.

Fabiano Gomes

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