Cássio lamenta ‘deslealdade política’ e admite fragilidade na relação com PMDB

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O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB), classificou de ‘acordo’ entre PMDB e PT a manutenção dos direitos políticos da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) que sofreu um impeachment nesta quarta-feira (31). Para o paraibano, a votação, que contou com o encaminhamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), tem o objetivo de beneficiar o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB). O tucano ainda admitiu uma fragilidade na relação entre PSDB e PMDB.

“Foi o povo que fez o impeachment, e mais uma vez, foi a política que a absolveu da inabilitação para exercer cargo público. A votação me surpreendeu pela quantidade de votos do PMDB a favor da presidente Dilma. Naturalmente, esse resultado terá consequências no julgamento do deputado Eduardo Cunha pela Câmara dos Deputados, ou seja, aquilo que eu vinha denunciando há muito tempo se confirma mais uma vez: Houve nessa votação um acordo entre Dilma e Cunha. O Senado cumpre a Constituição de um lado ao afastar a presidente do cargo de forma definitiva, e na mesma votação, descumpre a  Constituição”, declarou.

Cássio afirmou que o PSDB sequer foi informado sobre o encaminhamento de Renan Calheiros para livrar Dilma da inelegibilidade. Ele disse também não acreditar que a decisão do Senado poderá ser revista no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Poderá ter repercussão na minha relação, e não falo como líder do PSDB, com o governo. Foi uma grande traição conosco, nós sequer fomos avisados de que havia esse entendimento. O presidente da Casa, dentro da sua autonomia, manteve-se esse tempo inteiro argumentando a necessidade de uma distância do processo. Na undécima hora, encaminha a votação de um acordo feito com a presidente Dilma sem que a gente nem soubesse dele”, falou.

Ele ainda observou que a decisão permitirá que Dilma lance seu nome para disputar eleições já em 2018.

“Dilma Rousseff perde o seu cargo e amanhã ela inicia a sua campanha eleitoral país afora. É um fator de instabilidade enorme para o país. É uma enorme deslealdade política em qualquer relação. Com esse tipo de prática não vamos transformar o Brasil. A primeira coisa que tem que ser feita para o governo dar certo é que o PMDB não faça com o PSDB o que o PT fez com ele”, finalizou.

Da bancada paraibana, apenas o senador Raimundo Lira (PMDB) votou contra a perda dos direitos políticos da ex-presidente.

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